Pedro Gonzaga

Parole, parole, parole

soneto

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tormentoso desejo agora vivo
só por vos ter tão perto, doce amiga
conturba-se-me ardente o sangue à briga
que com malícia ergueu amor esquivo

encontro e logo perco meu juízo
quis razão evitar minha desdita
mas se ao vos ver um não sei quê se agita
sois perdição e incêndio e paraíso

encarnação da dádiva primeira
semideia que um árabe cantava
em vós respira a flor da laranjeira

primavera que esconde a verde fava
aniquilai-me a paz, feroz cegueira
toda nudez que vossa mão guardava

Escrito por pedrogonzaga

13/01/2012 às 14:34

Publicado em Uncategorized

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