Pedro Gonzaga

Parole, parole, parole

escrevo estes versos

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escrevo estes versos para o amigo que mesmo condenado
descobriu que ainda havia tempo para encontrar o amor

escrevo estes versos para a mulher que um dia abandonei
a quem desejo que encontre o filho que nunca pude lhe dar

escrevo estes versos para o meu quitandeiro da esquina
por beber um litro de graspa e erguer caixas às 6 da manhã

escrevo estes versos para aquele velho professor de latim
por me ensinar que a poesia é basicamente um desperdício

escrevo estes versos para o conforto de um poeta do campo
longe de sua lisboa que foi o mundo antes mesmo de camões

escrevo estes versos para as flores da última primavera
cantada pelos mestres chineses tantos séculos antes de mim

escrevo estes versos para uma menina perdida no futuro
que há de lê-los com as mãos iluminadas de tocar sua carne

Escrito por pedrogonzaga

16/01/2012 às 16:21

Publicado em Uncategorized

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